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Onde a inovação não chega

A inovação é uma pauta atual. No setor público ela começa a aparecer cada vez mais nas agendas e nos programas de governo. Isso é ótimo pois os problemas complexos que pulam em nossas timelines, normalmente estão relacionados com as competências das nossas instituições públicas. E a inovação governamental é fundamental para solucioná-los.

Porém, existe uma camada do setor público, que parece completamente alheia a tudo que acontece no mundo, nenhuma inovação chega até lá. Essa “camada” – vou chamá-la de “umbral governamental (UG)”– é dominada por ações inexplicáveis.

O que é o Umbral Governamental

Recentemente o IPEA divulgou, em nota técnica, uma pesquisa em que os servidores públicos responderam sobre suas percepções com relação à burocracia dos processos internos, questões logísticas, de tecnologia da informação e comunicação, entre outros. Boa parte do “UG” está explicitada na nota.

No “UG” os servidores e agentes públicos vivem uma realidade paralela, aprisionados num universo onde as coisas perderam o significado. O trabalho não faz mais sentido. As pessoas que estão no “UG” não sabem as respostas e pararam de fazer perguntas.

Com todos os avanços que a gestão pública vem conquistando, o “UG” mantém-se impenetrável. Não há inovação capaz de superar o modelo mental que impera no “UG”. Não existe confiança e colaboração entre as pessoas, o “sistema” é sempre o culpado por “ser” sempre desse jeito. “É assim, eu não posso fazer nada.” – é a frase mais dita no “UG”.

Como transformar o Umbral Governamental

É incrível e paradoxal para nós, que capacitamos servidores em inovação, termos que passar pelo “UG” em cada etapa do relacionamento com as instituições. Por exemplo, em uma das práticas do umbral, temos que enviar para os estagiários responsáveis, uma declaração reconhecida em cartório de que nós não empregamos menores na WeGov! Ficamos felizes de parecermos mais jovens do que somos, mas esse tipo de demanda tem um custo para nós…

As pessoas importam muito, e para sairmos do umbral, devemos prepará-las em suas competências humanas ao invés de dar-lhes um tipo de trabalho que um bom algoritmo pode fazer muito melhor.

Uma abordagem fundamental é a da motivação adequada das pessoas, não somente “acredite nos seus sonhos”, mas que possa entregar valor e significado para os servidores e que isso seja extrapolado em inovações no serviços ao público.

3 elementos para inovar o umbral

Autonomia: O servidor que tem liberdade de escolha para tomar decisões consegue inovar mais. Com o acesso à informação que temos disponíveis hoje, boa parte dos documentos requeridos, comprovantes, certidões e declarações podem ser checados e validados com buscas rápidas na internet e redes sociais. A autonomia do servidor público gera economia de recursos e celeridade nos procedimentos – inovações sempre bem-vindas.

Excelência: A maioria dos servidores públicos, possuem a ânsia de melhorar o umbral, eles buscam se capacitar e sabem que tem potencial para fazer melhor. Capacitar-se nas competências certas é fundamental para transformar o umbral, é importante buscar a excelência e conectá-la a um propósito. Se seguirmos buscando uma “excelência em datilografia”, o umbral vai prevalecer.

Propósito: Aqui a linha entre vida profissional e pessoal fica tênue, quase transparente. Um propósito maior que o próprio umbigo pode ser determinante para a transformação do umbral, a vontade de executar o trabalho em nome de algo superior (não do superior). Esse propósito é o que faz o servidor levantar da cama e resistir, mesmo depois de várias pancadas na cabeça.

Não sabemos o caminho das pedras para livrar as instituições e seus servidores do “UG”. De uma coisa temos certeza, se as inovações não chegam até lá, temos que criar inovadores. Um servidor público com autonomia, que busque melhorar suas competências e tenha um propósito maior do que conforto e estabilidade, pode transformar o “UG”.

Comments

  1. ARY FILLER

    Além destes 3 elementos, é preciso um quarto, fundamental, e ele se chama: CORAGEM !!!
    Coragem para propor melhorias cotidianamente; coragem para discordar da maioria acomodada quase “Zumbi”; coragem para apontar as falhas e os erros dos colegas, assim como apontar os abusos das chefias ; coragem para ser boicotado por muitos ; coragem para arriscar o seu próprio emprego, o seu salário, as suas vantagens, e o seu cargo na instituição ; coragem para mostrar os absurdos dos processos inúteis, com perda de tempo e de recursos que são desperdiçados aos milhares, e que no fundo são pagos por todos nós ; coragem para criticar a falta geral de bom senso em cada mínimo detalhe ; e muita mais coragem ainda para convencer alguns colegas a tentar implantar soluções viáveis, mesmo após ter várias tentativas infrutíferas, com seus erros sendo criticados por quase todos ; ao passo que os acertos sendo ignorados , ou ainda pior, assumidos como um trunfo por aqueles que nunca fizeram nada, mas acabaram ficando com os “louros das vitórias”……enfim, é preciso muita coragem, e na prática, infelizmente, pouquíssimas pessoas as tem !!!!

  2. Karl Koerner

    Não encontrei nada de umbral na nota técnica do link…

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