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O ovo e a galinha da inovação no setor público

Há alguns meses, a Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, recebeu uma notícia muito boa: a instituição conseguiu um financiamento para desenvolver uma inovação que vai beneficiar os cidadãos catarinenses. O aplicativo, chamado “PMSC Cidadão”, será lançado em 2019.

Em 2017, uma equipe de oficiais da PMSC participou do Programa HubGov. O desafio definido para ser trabalhado era: Ampliar as possibilidades de interação com o cidadão catarinense. A proposta de solução ,apresentada no dia 1 de setembro de 2017, foi o aplicativo “PMSC Cidadão”.

Identificando causa e efeito

Não podemos inferir causalidade absoluta entre esses episódios, mas a correlação é evidente. Para que fique claro, duas (ou mais) coisas podem estar relacionadas, mas não necessariamente uma causou a outra. Na maioria das vezes, fatores não identificados ou uma terceira força é que está movimentando as duas anteriores.

Quando falamos sobre inovação no setor público, fica difícil identificar causa e efeito, e por consequência, mensurar impactos. Como diferenciar eventos ligados por uma relação de causa efeito daqueles que só estão associados no espaço ou no tempo?

Muitos fatores podem ter influenciado (e ainda irão influenciar) o sucesso deste projeto, mas o fato é que a equipe da Polícia Militar de Santa Catarina, idealizou o projeto no Programa HubGov. Ainda que não existam métricas detalhadas sobre a causalidade, o fato foi reconhecido publicamente no Twitter por um dos líderes do projeto, o Ten Cel Tasca.

As inovações podem surgir de muitos lugares, e a busca para reconhecer quando elas acontecem, por si só, já é parte do processo de transformação do setor público brasileiro. Os méritos não acontecem isoladamente. A PMSC, inclusive, já foi reconhecida no Concurso de Inovação da ENAP.

De maneira geral, estamos lidando com 3 tipos de “juízes” ou “fiscais” da inovação.

1: “Eu reconheço as inovações quando as vejo”.
2: “Eu reconheço as inovações que existem”.
3: “Só existe inovação quando eu vejo”.

Que tipo de fiscal você é? Como você reconhece uma inovação?

Inovações importantes

Existem muitas iniciativas, com objetivos diversos e vindas de atores diferentes. A verdade é que, em inovação no setor público, quanto mais melhor. O tempo é o grande fiscal para definir quais são importantes, aquelas que tem propósitos reais e acontecem em agendas transparentes. O tempo também trata de eliminar os aventureiros e os modistas.

Certamente, precisamos melhorar as métricas e até mesmo criar novas formas de mensurar impacto quando falamos de inovação. As métricas industriais ainda são utilizadas, mas já estão inadequadas. Também há um problema de codificação. Costumo dizer que não podemos medir a velocidade da internet, se não há conexão de internet. Os gestores estão querendo medir resultados de coisas que ainda não existem, ou que necessitam de mais tempo para se tornarem mensuráveis. “Sorrisos por minuto” ainda não é uma métrica para “felicidade no trabalho”.

Considerando que ainda estamos superando a fase de fazer “inovação para inglês ver”, eu sou um otimista. Em breve, o “não da pra medir resultados” será obsoleto.

Inovações e Inovadores

Quando formamos inovadores engajados, há a possibilidade de que eles mesmos possam criar as condições e (em alguns casos) os ambientes para que as inovações aconteçam. É quando o peixe começa a transformar o aquário.

O dilema do ovo e da galinha, ou, no caso, da inovação e do inovador, fica evidente quando colocado em perspectiva adequada. Não dizemos que um “ovo botou uma galinha”. A narrativa mais efetiva favorece o inovador, ele vem antes da inovação.

Antes de reconhecer suas inovações, reconheça seus inovadores.

unsplash-logoHannah Tasker

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