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Lab InovANAC

Quando falamos da jornada do Laboratório de Inovação da Agência Nacional de Aviação Civil – Lab InovANAC, muitas pessoas – tanto do setor público quanto do setor privado – nos perguntam detalhes de como vencemos as barreiras iniciais à inovação. A nossa resposta é: ter patrocínio, entregar resultado (mesmo que pequeno) e, se possível, aproveitar uma conjuntura favorável.

TER PATROCÍNIO

Quando se fala em inovação organizacional, o patrocínio da gestão, em algum nível, é essencial para que as ações de inovação sejam de fato realizadas e não fiquem apenas na intenção. É importante destacar que, de início, ele não precisa vir necessariamente da alta gestão. Um gestor que comande uma equipe operacional, e que conceda ao seu time condições para inovar, pode ser um patrocinador crucial para que um movimento de inovação comece a prosperar na organização.

Sem patrocínio, sempre existirá um limite para o alcance e a efetividade das iniciativas que surgem bottom-up (de baixo para cima). Cabe destacar que patrocínio para a inovação não se limita à disponibilização de recursos financeiros, físicos e materiais. Ele se traduz, principalmente, em ações como criar um ambiente seguro para a experimentação ( ambiente, nesse caso, é muito mais do que ter uma “sala colorida e descolada”) e também em auxiliar o gerenciamento das partes interessadas dentro e fora da organização.

ENTREGAR RESULTADO

Em todos os eventos, projetos e treinamentos que realizamos, sempre destacamos que inovação só tem um sinônimo: resultado. Se você não entrega valor percebido, você não está inovando de fato. Não é demérito algum realizar uma pequena entrega, mas entregue alguma coisa de valor.

Da nossa experiência com o InovANAC, começar com projetos mais locais e com escopo e impacto pequeno teve uma série de vantagens:

  1. São mais fáceis de vender e de executar; é possível construir entregas mais rápidas; e, normalmente, os riscos são menores;
  2. Permitem experimentar abordagens e métodos que ainda não são familiares à organização; e
  3. Concedem experiência e confiança para quem quer aplicar um método ou abordagem recém-aprendidos. Falo por experiência própria: não saí pronto para facilitar um projeto com design thinking logo após fazer a formação inicial em um curso de curta duração. Muita coisa aprendi com estudos complementares e aplicar a abordagem em projetos reais.

Os primeiros projetos da iniciativa InovANAC foram projetos para a nossa área de gestão de pessoas, ou seja, projetos voltados para a gestão interna e não para a atividade fim da Agência. E o resultado foi bastante positivo: entregamos resultado, aceleramos o nosso aprendizado e começamos a disseminar a abordagem do design thinking, que até então era desconhecida pela grande maioria da Agência.

A propósito, comunicação e o fortalecimento de redes de inovadores – sejam indivíduos, sejam instituições – também são muito importantes. Além do aumento da visibilidade das ações, conexões e networking permitem multiplicar a capacidade de realização de projetos conjuntos que sejam de interesse mútuo.

APROVEITAR UMA CONJUNTURA FAVORÁVEL

Sobre o aspecto de conjuntura, a ANAC deu forma a um direcionamento mais claro quanto à promoção da inovação. Tanto da tecnológica, quanto para pessoas e resultados. Isso se deve ao seu Programa de Fortalecimento Institucional e pela importância dada à inovação como valor institucional.

Do ponto de vista externo, começaram a florescer várias ações de inovação no setor público, como o Fórum de Compartilhamento de Experiências de Inovação no Setor Público (FCEIS); a Semana de Inovação em Gestão Pública (a primeira aconteceu em 2015); a inauguração de laboratórios de inovação no setor público – como o GNova (ENAP) e Colab-i (TCU) ; a criação da Rede InovaGov; e o surgimento da WeGov que, embora seja do setor privado, tem sua atuação focada no setor público e na inovação pública.

 APRENDIZADOS DA JORNADA DE INOVAÇÃO

Ao contrário do que aconteceu em outras instituições públicas, não nascemos laboratório de inovação. Esta foi uma decisão que veio a partir do resultado da nossa Iniciativa InovANAC. Ter tempo para experimentar, testar e aprender ajudou muito a entendermos  o que realmente queríamos ser quando crescer e definir o nosso propósito e visão de futuro. O Lab InovANAC deve expandir – e não concentrar nele – a inovação na Agência e deixar de existir quando alcançarmos um certo nível de maturidade em cultura da inovação.

A jornada da inovação – seja no setor público ou no privado – não é fácil e existem muitas barreiras a serem superadas a todo momento: a cultura do “sempre foi assim”; o desconhecimento e a desconfiança em relação a novos métodos e abordagens; o medo da inovação violar alguma regra ou orientação de órgãos de controle; a hipermetropia institucional; etc. A cultura da inovação não se fomenta em uma organização da noite para o dia, ou só com atos normativos ou salinhas coloridas, ou o uso da metodologia da moda. Requer estratégia, objetivos, perseverança, aprendizado contínuo e, essencialmente, pessoas.

Não devemos nos iludir: lutar pela inovação no setor público não é fácil, mas é um combate que vale a pena.

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