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Fui abduzido: A experiência HubGov

Sim, vivi a experiência de ser abduzido. E, se eu fosse você, ficaria até o fim desse texto, pois pode ser a melhor chance de sentir de perto o que acontece com alguém que é levado a outro planeta.

A cidade é Goiânia. Estamos situados naquilo que se pode chamar de centro do país. Isso explica, em parte, os fartos relatos de pousos de discos voadores por essas bandas. Escritos que datam do século XVII, dão conta de que vários contatos imediatos do terceiro grau ocorreram em uma região da cidade onde hoje está o prédio do Tribunal de Contas do Estado.

Cético como sou, nunca dei bola pra essas conversas. Tipo Padre Quevedo – “no ecziste!” Até que recebi em minha caixa de e-mail uma mensagem sem remetente: “Compareça ao TCE no dia 01/03/18”. Só isso, nada mais. “Tá!” – pensei. “Não assinei nada comprometedor. Não me lembro de ter feito nada de errado no trabalho. Vou lá, não devo nada a ninguém.”

Mas aí as coisas começaram a ficar estranhas. Chegou o dia 01/03. Acordei diferente nesse dia. Não sei explicar: me aproximei de minha esposa e disse a ela o quanto a amava. Beijei meu filho, ainda dormindo, e sussurrei em seu ouvido – “papai te ama.” Tava diferente esse dia. Tinha um tom de despedida e nostalgia. Logo pensei: “deve ser a gripe me pegando.”

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A chegada

Fui em direção ao TCE – misto de euforia e ansiedade. Chegando lá, ninguém na portaria. Muito estranho. O cenário era meio “walking dead”. Pensei em voltar, mas uma força maior – a curiosidade – me impedia de sair. Mais que isso, me empurrava pra dentro. Entrei.

De uma das salas saia uma luz muito intensa num tom arroxeado. Fui atraído por ela. Era inevitável. Ao abrir a porta, a luz me cegou por alguns segundos e só pude ouvir alguém (ou algo) dizendo: “Bem-vindo terráqueo. Só faltava você.” Imediatamente a luz se esvaeceu e pude ver aquilo com meus próprios olhos. E, sim, vou lhes dizer agora tudo o que vi.

De cara fui avisado que havia sido abduzido por seres do planeta WE345GO8V, que eles seriam amigáveis e que eu não me assustasse. Estávamos, na verdade, embarcados em uma espécie de Cruzador interespacial – tipo aqueles de Star Wars – e que ficaríamos um bom tempo alí. De repente, velocidade da luz. Caiu a ficha, estava muito, muito longe de casa e sabe-se lá por quanto.

A transformação

Comecei a entender e a aceitar os fatos quando olhei para os lados e vi vários “terráqueos” como eu por ali. Fosse o que fosse, não estava sozinho. Um mentor tocou meu ombro, me olhou com serenidade e disse: “Acalme-se. Ao final dessa jornada você não será o mesmo. Mas garanto que mudará para melhor.”

Em seguida, esse mesmo mentor dirigiu-se a todos e começou a falar em um dialeto um tanto estranho: “Olá hubgovers – ein, hub o quê? – Faremos uma jornada pelo “design thinking”, aqui vocês farão um “pitch” e poderão aprender sobre “storytelling”. Já estava entrando em parafuso quando veio o golpe fatal: “…e, ao final de tudo, vocês se sentirão capazes de inovar no serviço público!!”

Como assim? Serviço público e inovação são mutuamente excludentes! Uma colega terráquea pegou na minha mão e disse: “Você tá pálido. Quer um pouco de água e café? Respondi: Sim, litros! Dos dois! Esses alienígenas, ET´s, seja lá o que forem, tão muito doidos, isso sim.

“Quando tudo estiver terminado – continuou -, vocês serão agentes de mudança que levarão a mensagem de nossa civilização até a Terra e converterão milhares de pessoas para essa causa. E farão milhões de pessoas mais felizes pelo simples fato de melhorar suas vidas fazendo diferente o que nunca deu certo.”

Bateu desespero! Porque eu? Eu não vou conseguir. Quis pular, desistir. Fingir de morto. Mas naquele café que havia bebido minutos antes havia algo que alterou meu estado de consciência – só pode ser. De repente, sentia-me capaz de tudo. Sentia que havia achado lugar pra minha angustia de não poder /querer mudar as coisas pra melhor. Durante o tempo que estive alí, chorei, sorri, desisti várias vezes e, na mesma hora, senti que podia tudo.

O encerramento

Mas o que mais importa é que, dias antes da jornada acabar, aquele mesmo mentor me disse: “Viu, daquela angustia e ceticismo nasceu um “hubgover”, um ser que se sente empoderado para mudar sua realidade no trabalho, mesmo que seja o simples ato de mudar a ideia de quem senta ao seu lado e que não acredita em ET´s ou em inovação no serviço público. Ao final, parece que todas as luzes se apagaram.

Acordei em casa, minha mulher me perguntando se queria vitamina – estranho, para ela era como se houvesse passado um dia apenas. Meu filho pronto pra ir pra escola e me beijando. Olhei no relógio e nada de diferente. Cheguei a pensar que tivesse sido um sonho. Ah, a tal da gripe me pegou mesmo. Dormi e sonhei com tudo isso.

Fui tomar banho e ao sair e olhar no espelho, um susto – sem piadinha ok?! No espelho embaçado estava escrito: “O HubGov não acaba quando termina”. Foi a prova de aquilo tinha acontecido mesmo. Fui tomado pelo sentimento de alegria e logo pelo de incerteza: “O que será de mim – de nós – agora? Como faremos isso acontecer?

Mas o que me tirou o sono essa noite foi: “O HubGov não acaba quando termina”. O que eles quiseram dizer com isso?

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