Os inovagófagos são um povo de uma ilha perto do Brasil. O seu nome advém de se alimentarem das flores e frutos de Inovis, existentes nessa ilha em quantidade abundante. A árvore de Inovis é uma planta exótica, quando suas flores e frutos são consumidos podem causar distorções da realidade e alucinações.

Na história recente, algumas pessoas desembarcaram na ilha e passaram a viver a rotina dos inovagófagos para tentar entender o que acontece por lá… Segundo relatos, a ilha é maravilhosa! As atrações são tantas que as pessoas acabam esquecendo de voltar para casa, esquecem a razão de estarem ali. Mas na verdade, são os inovagófagos que prendem as pessoas na ilha…

Em uma rara oportunidade, um dos homens que havia desembarcado por lá foi resgatado e amarrado no Brasil para que não voltasse para ilha nunca mais.

O homem foi questionado sobre a rotina da ilha e os habitantes. Ele contou que os Inovagófagos são um povo milenar – chamados “comedores de Inovis” – que possuem conhecimentos e hábitos do passado e aprenderam a preparar as flores e os frutos da árvore de Inovis em uma infinidade de receitas. Querem ainda construir novas ilhas para que outras pessoas fiquem presas fora da realidade.

O homem resgatado, ainda amarrado, contou que certa vez teve oportunidade de perguntar para um dos grandes líderes dos “comedores de Inovis”:
Por que vocês prendem as pessoas fora da realidade? Você sente-se bem com isso?

O líder dos Inovagófagos respondeu:

Prendemos as pessoas para que esqueçam seus problemas e tenham vidas eternas e felizes e eu me sinto maravilhado pelo que faço pois a árvore de Inovis é minha vida.

O poder da árvore de Inovis

O homem tornou-se um especialista na Inovis e, segundo seus estudos, a árvore é poderosíssima. Quando as flores e os frutos estão frescos e são consumidos em quantidades adequadas, as pessoas conseguem manter o contato com a realidade e ainda melhoram suas capacidades cognitivas, colaborativas e criativas.

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Por ser um povo milenar, os inovagófagos acreditam que a Inovis deve ficar sob seu controle e ainda não perceberam a melhor forma de libertar todo seu potencial da árvore de Inovis.

Exílio sazonal

De quatro em quatro anos, a produção de Inovis cessa completamente. Com isso, os inovagófagos costumam viajar pelo Brasil – local onde moravam antes de migrar para a ilha.

Durante a entressafra, os inovagófagos param de consumir as flores e os frutos da árvore e entram em contato com a realidade. Chocados com tudo que veem, percebem que nada mudou desde que saíram do Brasil. Assustados, a única coisa que eles esperam é voltar a consumir as receitas maágicas sem limites e entorpecer outras pessoas para que fiquem presas, fora da realidade, em sua maravilhosa ilha.

Dizem que, nos dias de hoje, os inovagófagos foram integrados com outros povos brasileiros e estão descobrindo progressivamente as medidas certas para usar planta de Inovis.

Moral da História

“Cuidado com o solucionismo. Embarque no mundo da inovação, mas não deixe que seja uma panaceia.”


Foto: David Cohen


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André Tamura

André Tamura

André Tamura é Diretor Executivo da WeGov, empreendedor público, entusiasta da inovação em governo e das mudanças sociais. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas.

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