Em algumas oportunidades, ao apresentar o trabalho inovador da WeGov, surge a pergunta:

“Ok, mas como vocês medem o impacto e a inovação dos serviços que prestam?”

Boa pergunta.

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Com a sinceridade de sempre, respondo que o impacto do nosso trabalho é difícil de mensurar, ou como costumam dizer: é bastante intangível. Respondo também que vai depender das métricas que as organizações consideram importantes.

Sabemos que a maioria das métricas que utilizamos hoje no trabalho, para mensurar qualquer coisa, foram importadas diretamente do chão de fábrica. Com a inovação, não é diferente. Para mostrar-se produtivo, muitos parecem voltar para a época em que a produtividade era mais universalmente observável: a era industrial.

Pensando no tipo de trabalho e nas tecnologias que temos hoje, nos parece absurdo medir – por exemplo – mudança de mindset, em quantidade de horas, somente porque o tempo é o único recurso que todos compreendem de maneira uniforme.

Ainda assim, intangível não significa necessariamente imensurável, e que alguns critérios podem, e devem, ser definidos para que possamos medir o impacto de uma proposta que pretende impactar e criar, não só inovações, mas também inovadores no setor público.

Métricas que importam

Quando estamos inovando no setor público, devemos definir métricas significativas e representativas. Algumas vezes, em fases iniciais, podemos definir uma única métrica que seja importante. No Programa HubGov, fizemos uma pergunta: “De 0 a 10, qual é seu conhecimento em inovação?” No início do programa obtivemos 6,75; ao final; 8,23

Em um mundo de oportunidades abundantes, um setor que carece imensamente de inovação, deve aceitar assumir alguns riscos que precedem o questionamento sobre métricas. Seria prudente permitir a inovação com critério simplificado, adequado a uma nova era: “Não estávamos tentando inovar” – “Agora estamos trabalhando para isso”.

Alguns gestores, parecem querer medir a velocidade da internet, antes de ter acesso à internet, e quando não sabem como medir algo que não possuem, negam a possibilidade de seguir em frente.

Métricas de não inovar

O custo de não é inovar no setor público, é esse que estamos vendo todos os dias no noticiário e na timeline do Facebook. Toda a ineficiência e corrupção observadas rotineiramente, podem ser métricas que representam o custo de não inovar, em economia é o custo de oportunidade.

Estamos deixando de tentar algo novo, e assumindo riscos piores. Se seguirmos assim, podemos considerar que Roberto Campos acertou ao apontar que “o Brasil não tem a mínima chance de dar certo.”

Métricas humanas

Somos mais do que números, somos pessoas. Temos ideias e sonhos. As maravilhas produzidas por técnicas de Big Data e Data Analytics não podem superar a humanidade do ser, sempre teremos que considerar medir o que importa. A vida é 100%.

Algumas coisas ainda não são possíveis de mensurar, outras seguem naturalmente mensuráveis, sem a necessidade de métricas. As nossas oficinas e eventos aumentam a confiança do servidor público. A confiança é um bem intangível que adquire valor crescente em um mundo saturado de informações. Humanos confiam mais em humanos do que em máquinas (e até mesmo do que em números). Confiança não se mede em quantidade de horas ou reais, ela é construída através de interações e experiências.

Quando olhamos para os “cliques”, “acessos”, “visualizações”, “sentimentos” – métricas comuns para as tecnologias de informação e comunicação – não poderíamos imaginar, há poucas décadas, que elas estariam disponíveis e acessíveis hoje tão facilmente.
Da mesma forma, somos confiantes de que o nosso tipo de inovação tenha métricas mais objetivas, e estamos trabalhando para construí-las.

Nas 14 insituições do Programa HubGov, os resultados serão cada vez mais tangíveis. Vamos acompanhar.

Foto: Christian Kaindl


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André Tamura

André Tamura

André Tamura é Diretor Executivo da WeGov, empreendedor público, entusiasta da inovação em governo e das mudanças sociais. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas.



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  • Grande André …. Vocês deixam claro o objetivo de vocês que é criar inovadores e é necessário então medir isso … A auto-avaliação do “conhecimento” em inovação é um primeiro passo. Mas, se n queremoa mensurar à mudança no indivíduo que participa das experiências que a WeGov proporciona é preciso também avaliar os outros componentes do CHA, além do Conhecimento as Habilidades e as Atitudes. E entendo ser necessário ir além da autoavaliação, pois se o que se deseja é formar pessoas que inovem na gestão pública é preciso que as organizações sejam consultadas sobre como o serviços da WeGov contribuiram para resultados. Vamos conversar mais sobre isso!