Em junho de 2017 fomos até Brasília participar do Seminário de Inovação Aberta promovido pelo Tribunal de Contas da União. A ideia era apresentar um “pitch” de 2 minutos e solicitar a colaboração dos participantes, interagindo nos estandes disponíveis para as entidades selecionadas.

O nosso projeto selecionado foi o “De mãos dadas com Palhoça”. O projeto vem sendo construído no HubGov desde Março de 2017 e tem como premissa a mobilização de cidadãos e da iniciativa privada em ações de revitalização da cidade. Uma abordagem inovadora, mas cheia de desafios burocráticos e jurídicos.

Quando planejamos nossa ida até o evento tínhamos uma expectativa clara: obter ajuda dos demais sobre como poderíamos enfrentar os obstáculos legais que ações como esta trazem ao Município. Ficamos super felizes quando vimos que haviam representantes de diversas organizações públicas de todas as esferas. Vimos o Ministério Público, o Tribunal de Contas, Ministérios, Secretarias, Conselhos, auditores, fiscais e tudo quanto é profissional que normalmente nos procuram quando cometemos alguma falha administrativa.

Pois bem, após o pitch ficamos aguardando a interação que o evento prometia. Realmente algumas pessoas nos procuraram para entender melhor nosso projeto, mas ninguém soube nos ajudar com nosso maior desafio. Vimos aqueles profissionais cheios de conhecimento passando pelo nosso estande e só observando, analisando e indo para o próximo. Decepção…

Que caminhos seguir?

Mas a decepção não foi com o evento, com as instituições ou com os profissionais. Nossa grande decepção foi com a dificuldade nítida de inovar. Sabemos o que queremos com o nosso projeto e onde vamos chegar. Sabemos que o projeto pode solucionar uma gama de problemas que o cidadão e a Prefeitura enfrentam todos os dias devido à ausência de recursos. Mas também sabemos que os órgãos de controle estarão nos observando e nos autuando caso entendam que o projeto pode vir a ferir algum pressuposto legal.

Diante de todos estes que um dia nos apontarão as falhas, pedimos ajuda clara. Colocamos todos os nossos temores e receios. Mesmo assim, nada nos foi dito. Nada nos foi orientado…

Mesmo assim vamos seguir adiante com nosso projeto, pois sabemos do preço do pioneirismo na Administração Pública. Que um dia as pessoas compreendam que só quem tem coragem segue adiante em um cenário tão negativo e turbulento. Pois inovar é para os fortes!

  • Gabriela Flores Caldas Tamura

    Infelizmente essa é a realidade no setor público Cris, no geral é mais fácil apontar a falha do que mostrar caminhos possíveis, mas tenho certeza de que a Prefeitura de Palhoça vai propor e realizar um excelente projeto e não haverá espaço para auditorias :)

    • Raphael

      Muito difícil mesmo. Assumi a divisão de inovação da empresa pública em que trabalho, e o foco que foi pedido era dar além de inovar para fora da empresa, promover essa cultura de inovação e empoderar os colaboradores para saírem das caixinhas de cada setor, e trabalhar juntos para resolver problemas tantos internos quanto da sociedade que é nosso principal “cliente”. Com o cenário de crise no governo, falta de pagamentos, as pessoas tendem não colaborar (só reclamar). Tenho focado então em algumas pessoas que deram o feedback sobre querer mudanças mas ainda esbarro no problema de recompensas, que para o setor público também é muito difícil estabelecer alguma sem ferir o que seja legal e cabível.

      • Gabriela Flores Caldas Tamura

        Raphael, conte com a gente se precisar conversar mais sobre essas dificuldades. Estamos todos no mesmo barco :)

  • As vezes vale a pena retrocer um pouco, quebrar o projeto em partes e buscar as tais “fast wins”, ou seja, ganhos que possam ser facilmente obtidos, e que demonstrem que a busca da inovação vale a pena. Por exemplo se o projeto é tornar um serviço 100% digital, quem sabe digitalizar uma parte e mensurar os ganhos para o cidadão e para a instituição. Mas de qualquer forma, a parte menos divertida da inovação, após a euforia da ideação, é realmente difícil, mas a persistência pode levar a um resultado se não ótimo mas quem sabe muito bom.

  • Márcio Welter

    Cristina e colegas gestores, concordo com você. Inovar é para os fortes! Acrescentaria que é para aqueles que toleram “fortes emoções” e não se esquivam e nem se abstêm em correr atrás do seus propósitos e ideias. Ser inovador não é para todos, ainda mais dentro do Poder Público. Para ser inovador é preciso enfrentar riscos. Quão arrojados estamos para inovar? Precisamos arriscar! se não errarmos, não aprenderemos a acertar. Óbvio que ser inconsequente não é ser um bom profissional. Façamos assim: Identificar, analisar os riscos e mitigar as ameaças, fundamentar muito bem cada passo no real e transparente propósito do bem ao cidadão e para a sociedade, então, quando der medo, fechar os olhos e vai com medo mesmo! Apenas os fortes enfrentam seus medos.

  • Fabiana Ruas

    Oi Cristina, acabei de ver seu post. Coordeno o laboratório de inovação do TCU. Estava participando da organização do evento em maio e facilitei uma das oficinas. Não tive muito tempo de conversar com cada responsável pelos projetos, no entanto estou disponível para trocar ideias sobre o seu desafio, ok? Estou sempre compartilhando o nosso jeito de fazer as coisas com órgãos que tenham interesse. Inclusive sou mentora de duas instituições do HubGov. Se quiser entrar em contato, fique à vontade: fabianarv@tcu.gov.br! Abraços