Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato…”
Clarice Lispector

Como colaborador de uma Secretaria de Comunicação em um órgão de governo sempre me preocupei (e vejo nisso o reflexo comportamental de todos os colegas de profissão) com a imagem do órgão e como tornar conhecido os serviços de minha instituição. Essencialmente, essa é a missão de uma Secretaria de Comunicação. Então até aí tudo certo. Estou cumprindo meu papel. Mas…

Certa vez, em um país fictício, uma organização de governo, também fictícia, resolveu se aproximar da sociedade e para isso sua secretaria de comunicação lançou uma campanha muito bem estruturada. A campanha era grande envolveu diversos meios de comunicação e abrangência nacional. Durante o período de veiculação da campanha, em uma entrevista coletiva sobre outro assunto de interesse da instituição, um dos dirigentes foi abordado sobre o custo de tal campanha e quais os objetivos dela. Bom, como o dirigente não recebeu informações sobre a campanha, você pode imaginar o constrangimento que a instituição sofreu.

A partir dessa vivência convido você a pensar um pouquinho sobre o que parece óbvio, mas que nós, responsáveis por comunicação de organizações de governo, deixamos em segundo plano: a comunicação interna. Em muitas instituições esse processo de trabalho, quando existe, está vinculado à área de Gestão de Pessoas. E aí temos um problema. Corremos o risco de construir uma organização esquizofrênica, onde o que se fala para fora é um discurso e o que se ouve pelos corredores, é outro.

Comunicação, comunidade e comunicador

Se formos conversar sobre comunicação interna, um universo de pontos de vista e de aspectos podem ser abordados. Mas aqui eu gostaria de que refletíssemos apenas sobre um ponto que, para mim, é crucial em uma comunicação interna bem estruturada: Quem é o meu público alvo.

“Aahh! Essa está fácil” dirão os mais desavisados e aqueles que tratam a comunicação interna como algo de segunda importância. E de fato à primeira vista a sensação que temos é que conhecemos bem o público a quem se dirige às campanhas internas.

Entretanto um filhote de águia acredita que o mundo se resume ao ninho onde nasceu até o dia em que é empurrado para fora dele. O que eu quero dizer aqui é que exatamente por estarmos dentro da organização podemos não ter uma percepção 100% correta de quem é o nosso público alvo. Não é porque trabalho no mesmo local de meu público alvo, que posso inferir que estes pensam como eu.

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Como comunicadores sabemos que quando somos parte direta de uma questão não temos isonomia total para tratar dessa mesma questão. Da mesma forma podemos ter um erro de cálculo ao desenharmos o público alvo de uma campanha de comunicação interna por participarmos desse mesmo público.

Personas da instituição

Faça uma pesquisa interna. Desenhe cinco ou seis personagens diferentes (personas) que trabalham na sua instituição. Neste trabalho sempre gosto de responder as seguintes questões a respeito de meu público alvo:

O que eles buscam
Como consomem informações
O que eles esperam da minha organização
Como é a experiência de marca vivenciada por eles

Respondendo essas questões temos um material para iniciar uma delimitação de perfil dos colaboradores da instituição.

Resumindo, para que a comunicação interna de sua organização tenha sucesso comece mapeando, com maior cuidado possível, qual é o perfil do seu colega de trabalho. Levando em consideração suas histórias vividas na instituição, mas abandonando suas crenças pessoais em relação à mesma.

Alexandre Araujo

Alexandre Araujo

Alexandre Araújo, Publicitário, Pós-graduado em Governança de TI, trabalha há 20 anos no Tribunal de Contas da União onde já desenvolveu diversos projetos nas áreas Administrativas, Recursos Humanos, e atualmente em Comunicação. Casado com Elisa e pai do João, do Matheus e do Rafael que lhe ensinam todos os dias como a vida pode ser divertida.



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